É fundamental um sistema contábil para as PMEs

SmallBusiness-1Professor, na Convenção, o senhor falou sobre “O Contador no Processo de Estruturação das Informações Contábeis da PME”. Qual a importância desse assunto para a Contabilidade?

O Brasil vive hoje um momento economicamente histórico, com estabilidade monetária já há mais de 15 anos num ambiente competitivo internacional, e com as PMEs (Pequenas e Médias Empresas) participando ativamente desse processo de negócios dentro e fora do país. A Contabilidade para ser adequadamente utilizada, dentro de uma abordagem gerencial para tomada de decisão – além de cumprir suas funções normativas e regulatórias – necessita de uma estrutura de sistemas de informações que seja integrada com os demais subsistemas empresariais, para que cumpra sua missão. Minha experiência, como acadêmico e como profissional da área, já identificou que em muitas PMEs a principal lacuna gerencial é a falta de uma adequada estruturação do sistema contábil. Nesse sentido é que procuramos explorar este tema para dar uma contribuição aos profissionais da área que atuam diretamente com as PMES.

O senhor é graduado e mestre em Ciências Contábeis e doutor em Controladoria e Contabilidade.  Para você, hoje, quais são os desafios da profissão?
O maior desafio hoje do Contador é acompanhar o ritmo de competição e exigência do mundo empresarial e suas constantes mutações e desafios novos e contínuos. As empresas são muito dinâmicas, com novos mercados, novos produtos e serviços, novos competidores, influência forte internacional, questões monetárias e cambiais em constante alteração. Tudo isso exige que o Contador tenha uma estrutura contábil que permita atender a todos os gestores com precisão, competência e na velocidade (frenética) do mundo dos negócios. Por isso, é fundamental a estruturação de um sistema contábil para as PMEs. É difícil, complexo, mas plenamente possível com a tecnologia de informação existente e o conhecimento contábil disponível. O segundo desafio é fazer o gerenciamento adequado do risco dos negócios. Assim, as obrigações fiscais, regulatórias, de controle interno (compliance) têm que ser cumpridas à risca, para que não interfiram de forma negativa nos negócios. Nesse sentido, as práticas internacionais estão permitindo uma visão mais abrangente para a Contabilidade normativa, que vai de encontro a esse desafio. O terceiro desafio é o mesmo de antes, ou seja, a ética. O Contador é o guardião da ética dos negócios e seu papel é indispensável e único. Nunca deve abrir mão desse princípio norteador da profissão, porque o Contador tem o papel nobre de ser o prestador de contas da atuação das empresas para com a sociedade.

Em que os Profissionais da Contabilidade ainda precisam melhorar no desempenho de seu trabalho?
Como toda profissão e atuação social, a melhoria é uma necessidade de todos, assim como o aprendizado contínuo oferecido, por exemplo, pelos programas dos CRCs de educação continuada. Hoje, as faculdades de Ciências Contábeis contemplam um currículo adequado para a formação acadêmica e os CRCs complementam esta formação com iniciativas de maior profissionalização.

Portanto, todos temos condições de sermos profissionais de excelência. Mas, como elemento de melhoria, entendo que é a necessidade de saber se comunicar melhor. Há o mito de que o Contador (antigo) fica no fundo da sala, calado, fazendo seu trabalho. Este mito tem que ser minimizado ou eliminado. O Contador precisa saber se comunicar. Precisa deixar clara a importância da Contabilidade no processo de tomada de decisão. Precisa educar o empresário para os aspectos econômicos e financeiros de sua empresa. Ele é profissional que atua lado a lado com o proprietário, diretor, o empresário. Esses não são obrigados a ter conhecimento profundo da Contabilidade.  Cabe ao Contador esse papel educacional e, ao mesmo tempo, de comunicar e efetivar a importância da Contabilidade nas organizações.

O senhor também já publicou 21 livros nas áreas de Contabilidade. Seu livro “Gerenciamento do Risco Corporativo em Controladoria” foi premiado na categoria Livro de Contabilidade pelo Jornal do Comércio, recebendo o Troféu Cultura Econômica em novembro de 2009.
Este livro foi fruto de uma pesquisa que eu havia iniciado por volta do ano 2000, quando estava estruturando meu livro de Controladoria. Alguns anos depois, tive a oportunidade de orientar no mestrado profissional em administração da Unimep o aluno Ricardo Galinari Bertolucci, que se interessou pelo tema. Nessa ocasião, conseguimos encorpar mais o conteúdo. Depois propus ao aluno Ricardo transformá-lo em livro e me responsabilizei pela parte final. O objetivo maior é traduzir um tema considerado como complexo para que fosse aplicável para todas as empresas não financeiras. As entidades do setor financeiro tem a obrigatoriedade de um sistema de gestão de riscos financeiros. Mas eu queria dar uma abordagem mais ampla, a gestão de todos os riscos, não só os riscos financeiros. Assim, o nome é gestão de riscos corporativos, porque compreende todos os riscos a que possa estar exposta uma organização. Dentro dessa abordagem, desenvolvi uma série de exemplos, todos eles práticos, para que qualquer pessoa dentro de uma empresa consiga estruturar o sistema de gestão de riscos. A gestão de risco é um processo antecipatório do que poderá acontecer, de bom e de ruim. A empresa que for mais hábil nesse processo tem maiores chances de sucesso e sobrevivência, em relação à concorrência.

Por Clóvis Luís Padoveze

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